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Quinta,04 de junho
Mistério e polêmica na herança do deputado estilista que morreu dois meses atrás, em Brasília. A disputa pelos bens de Clodovil Hernandes provoca briga. E nossos repórteres encontram, no quarto da mansão dele, uma misteriosa passagem secreta.
Clodovil Hernandes vivia cercado de luxo. A casa em Ubatuba, no litoral de São Paulo, revela o estilo exuberante e sofisticado do deputado, morto há mais de dois meses.
“Ele falava ‘eu vou fazer um quarto pink’, todo mundo estranha. Mas veja, o chão é pink, aí ele fez a colcha, o cobertor, tudo no mesmo tom”, conta advogada Maria Hebe de Queiroz. “A ideia da sala era reproduzir a praia. Eles fazem isso com o rodo e a areia era queimada todo dia por causa de fungo, para que não tenha problema”, explica Maria Hebe.
O capricho custava caro. Clodovil gastava R$ 12 mil por mês só para manter a casa de oito suítes. Como deputado, com os descontos, recebia R$ 7 mil. “Dinheiro é uma questão de cada um de nós. Eu só consigo viver no meio da beleza”, declarou uma vez Clodovil. “O Clodovil sempre gastou o que ele ganhava e mais do que ele ganhava”, conta Maria Hebe.
Maria Hebe é responsável pelo testamento. Ela não pode mexer no patrimônio antes do inventário ficar pronto. Enquanto isto, é ela quem paga as despesas da casa. “Eu estou bancando isto do meu bolso. O primeiro mês havia uma conta de R$ 1.700 de luz. Hoje, a gente tem só de funcionário, R$ 5.500 por mês. Como é que eu vou tirar os guardas de lá? É uma casa totalmente aberta”, diz. Clodovil tinha receio de ficar sozinho na casa dele, que é isolada, no meio da Mata Atlântica. Por isso ele tomou algumas precauções. Por exemplo, no banheiro da suíte dele, tem um banco, que é mais do que um banco. Levantando o colchão, depois uma tampa pesada de madeira, aparece uma outra tampa, que aberta revela uma passagem secreta. Esta passagem secreta leva a uma saída pelo andar debaixo da casa.
No quarto dele, outra surpresa. Embaixo da cama, mal dá para perceber, tem que abrir uma porta, que leva a uma saída, que vai dar no andar debaixo da casa. “O Clodovil sempre foi ameaçado, ele recebia umas ligações estranhas”, conta Maria Hebe. Nos últimos anos, as pessoas mais próximas de Clodovil foram sua advogada e quatro assessores parlamentares. Com a morte dele, houve uma divisão no grupo.
Há um mês e meio, João Toledo, que mora em Ubatuba, mandou uma carta para a advogada questionando o andamento da herança.
“Eu tenho dúvidas que eu coloquei numa carta”, disse João Toledo.
“Eu recebi uma carta bastante malcriada”, disse a advogada.
“Eu questionei o que está sendo feito, o que será feito com os bens”, explicou João.
“É uma carta atrevida, questionando onde estava o brinco do Clodovil, onde estavam as coisas dele”, falou a advogada.
“Eu gostaria de saber aonde estão a gravata de brilhantes, os brincos de diamante”, falou João.
“Se existir, está no cofre de Brasília, com certeza”, garante Maria Hebe.
Por enquanto, ninguém sabe exatamente o que está dentro do apartamento de Brasília, que foi lacrado à espera do inventário.
“Não posso afirmar que exista nada de errado. O que eu quero saber é o que está acontecendo”, disse João.
“Eles ficaram muito ofendidos porque eu os proibi de entrar na casa. Não foi a eles que eu proibi, eu proibi qualquer pessoa.
Eu respondo por cada ha que está lá dentro”, justificou a advogada. Clodovil determinou no testamento que todos os seus bens deveriam ser usados para criar uma fundação de amparo a jovens carentes. A advogada é a responsável pelo projeto. “Como ele tem muita coisa, me ocorreu, lembra aquele leilão do Abadia, que teve aí, né? Eles compravam cueca do Abadia, por que não comprariam coisas dele? E coisas lindas dele? Juntar com o que tem em Brasília, fazer um leilão. Tudo isto, obviamente, com autorização judicial”, sugere a advogada.
Quando a Justiça liberar os bens de Clodovil a prioridade será pagar as inúmeras dívidas que ele deixou. Parte delas está em nome de Klaus Agabiti, assessor e amigo. “Comprei televisão, computador, freezer. Ajudei a montar o apartamento de Brasília.
Todas as coisas que foram compradas lá foram em meu nome. As contas estão chegando. Eu estou tentando salvar.
O último carro que eu comprei para ele está vencido, eu não tenho como pagar”, diz Klaus. “A gente dá um passo ali na frente e morre, a vida não é nada, e o corpo não nos pertence, nada nos pertence, a não ser o nosso caráter, a nossa alma, que isto é inquestionável, é a essência”, dizia Clodovil.

Matéri exibida dia 31/05 no Fantastico.
Fonte: www.globo.com

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